terça-feira, 8 de março de 2011

O CUSTO DO MEDO

Com Russell Crowe e Meg Ryan, o filme “Prova de Vida” parece mais uma ficção do cinema, mas é o fiel retrato de um seguro que não pára de crescer; o seguro anti-sequestro. Quem tem não fala. Quem vende se esconde. Por ser ilegal no Brasil, a estimativa é de que existem mais de 10.000 apólices contratadas por brasileiros no exterior. Quem é contra, sustenta que além de tipificar evasão de divisas, esse contrato é nulo, já que o risco do seguro está relacionado a ato ilícito praticado pelo beneficiário (seqüestrador). Nos EUA esse seguro é legal e o segmento apelidado de “K&R” (kidnapping, ramsom and extorsion insurance) é adotado por 60% das suas 500 maiores empresas. As coberturas variam de 1 a US$ 25 milhões e o custo do seguro para a cobertura de US$ 1 milhão fica em torno dos US$ 3,5 mil. São garantidos pagamentos de resgates, salários perdidos, morte, amputação de membros, custo de viagem para família e amigos, além de acompanhamento psicológico e gerenciamento de crise. Mesmo legalizado, as empresas brasileiras temem de que ao lançar esse produto sejam acusadas de contribuir com o aumento da criminalidade. Outro obstáculo é o “modus operandi”. Quem paga quer dominar a cena do crime. Assim que um cliente é capturado, a seguradora assume as negociações e em alguns casos dá uma de polícia e corre atrás dos bandidos. O negócio é tão sigiloso que parece virtual. Na maioria das vezes as autoridades só tomam conhecimento do crime quando o refém é solto. O Ministério das Relações Exteriores detalha em seu site uma conversa entre o Governo Brasileiro e a seguradora que conduzia as negociações do seqüestro do brasileiro João José Vasconcelos, engenheiro da construtora Odebrecht em 2005 no Iraque. Chegamos a uma ponto que para diminuir o insuportável sentimento de insegurança por conta de uma criminalidade assustadora fomentada por leis extremamente brandas, até o ilegal está se tornando viável.